segunda-feira, agosto 24, 2009

Booking.com

O site acima já foi por mim várias vezes utilizado para marcar estadias em hotéis e outros estabelecimentos turísticos, habitualmente com bom resultado.
Uma coisa que faço sempre é consultar os comentários dos utentes aos hotéis que estudo como possível destino.
Então aqui vai um apanhado de comentários (negativos, pois então), neste caso a hotéis do nosso querido Algarve...


"El segundo día debieron decidir que con una almohada nos debería de valer para dormir dos personas porque es lo que nos dejaron al limpiar la habitación."

"Todo el mobiliario es antiguo. La almohada baja para nuestro gusto. Oimos todo lo que hacian en la habitacion de arriba, juntar las camas y zas zas zas..."

"Si vous aimez faire votre ménage et votre lit vous même (pas de ménage pendant les cinq jours de notre séjour), si vous aimez les chaines de télévision anglaise (pas une seule en français), si vous aimez réclamer parce qu'il manque quelque chose et rappeler le lendemain 2 à 3 fois parce que ce n'est pas fait et recevoir de nombreuses "apologize", et enfin si vous aimez le vent fort incessant alors, cet endroit est pour vous ..."

"Grand chantier de construction à côté de l'hotel donc très bruyant et pas vraiment ideal si vous souhaitez vraiment profitez de vos vacances. Niveau de service inacceptable pour un établissement de luxe: par exemple le nettoyage du villa s'effectue que deux fois par semaine. Pas de parasol en bordure de piscine malgré une temperature de 30 degres. Mensonges systematiques de la part du personnel de l'hotel. On vous dit que le chantier s'arrete à 18 heures mais il s'arrete vers 20h vraiment, on vous dit que le chantier n'opere pas le weekend, pourtant, vous entendez la scie à bois toutes les machines du chantier jusqua samedi 16 H. Cet hotel est beaucoup trop cher pour tous ces inconvenients."

"As cadeiras da cozinha estavam todas a partir, a louça da cozinha era insuficiente, nao há facas que cortem bem os alimentos..."

"smell in room"

"the hotel did not have the as advertised tennis courts and golf academy"

"Stare nie do końca działające wyposażenie"

"Das Fitness-Studio ist nicht das gelbe vom Ei - uralte Geräte die nicht gewartet werden - im Schwimmbad braucht man "Badekappe" - ausserdem gab es u.a. Abends/Nachts sehr unangenehmen Geruch vom Meer her"

"Hotel is gehorig"

"Cada vez que te duchabas, se anegaba el cuarto de baño, y recogiendo con toallas. Avisamos a recepción y nos dijeron que todas las habitaciones tenían el mismo problema. Fue muy desagradable pues teniamos que recoger con toallas."

"Me cambiaron 3 veces de habitacion pues decian que se habian equivocado. No disponen de aire acond. o no funciona. Tª noche de 26 a 30º. Imposible dormir en verano y supongo que en invierno pues no hay calefaccion. En el desayuno pretendieron cobrarme el cafe descafeinado pues decian que no entraba."

"It's expensive, the hotel don't have enought resources to be a right choice. I will not return never if there's another solution."

"A exigência do pagamento antecipado não me parece a melhor forma de dar as boas vindas. Há, certamente, outras formas de atingir o mesmo objectivo."

"El olor de las sábanas no me gustaba."

"La puerta corredera de cristal que daba a la terraza/calle se estropeó nada más entrar en la habitación. Avisamos del desperfecto y nos dijeron que lo arreglarian al dia siguiente pero nadie reparó absolutamente nada. Mientras nos dieron una barra de hierro para sujetar la puerta."

"Nie wiedzialem, ze apartament bedzie polozony daleko od recepcji, w innym budynku, jak rowniez na stronir www jest mowa o basenie pod dachem, ktory funkcjonuje tylko w zimie."

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quarta-feira, julho 29, 2009

15h30m Álvaro Castelões Matosinhos

Ela descia Álvaro Castelões de bicicleta, saia comprida verde-escuro ,blusa verde-claro, morena do sol de matosinhos o cabelo louro - seu? adquirido? - escuro e eu logo concordei, longas pernas e fortes longamente vistas desenhando as helicoidais, lenta mas seguramente desceste do passeio obliquaste à minha frente levavas um cabaz de peixe sobre o quadro - sem peixe mas com dois três girassóis, boa escolha - pensei e a força era tua e era imensa e fizeste logo tua toda esta tarde, eis porque eu amo não a ti mas a esta terra que ainda consegue produzir assim mulheres.

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segunda-feira, junho 15, 2009

Three Hostages Killed...


...in the northern region of Sadah, in Yemen.

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quarta-feira, maio 13, 2009

Já não se pode praticar esqui no Paquistão


"Malam Jabba is perhaps the finest skiing resort in Pakistan. Malam Jabba is located about 300 kilometres from Islamabad near Afghanistan border in the Swat Valley. It takes about six hours to reach Malam Jabba by road. Malam Jabba is also well connected by air with Islamabad and Peshawar. You can take flight from Islamabad to reach Saidu Sharif, which is the nearest airport to Malam Jabba. From the airport, Malam Jabba is about 45 kilometres.
Mala Jabba Ski Resort is the joint effort of the Pakistan government with its Austrian counter part. Well equipped with modern facilities, Malam Jabba has fine infrastructure and offers a number of facilities like roller/ice-skating rinks, chair lifts, skiing platforms, telephone facility and snow clearing equipment. Accommodation is also available and restaurants offer local and international cuisine.
Perched about 8,700 feet above sea level, Malam Jabba is an excellent skiing resort. The mighty Karakoram range and black mountains surround the resort and offers excellent views. Apart from presenting wonderful scenic views, the Malam Jabba Ski Resort has some monuments that add to the excitement of a traveller.
Malam Jabba has two Buddhist stupas and six monasteries that are scattered around the resort. The presence of the monuments at such a height clearly indicates that the area was inhabited for over 2000 years.
Malam Jabba also offers two exciting trekking trails that offer excellent scenery. Passing through the Ghorband Valley and Shangla Top is one of the treks, which is about 18 kilometres from the resort. The other trek passes through the Sabonev Valley and is about 17 kilometres from the resort.
Malam Jabba is a complete adventure tourist destination. You can enjoy skiing on the powdery slopes of the Malam Jabba Skiing Resort, trek to the some spectacularly beautiful places or simply sit outside your cottage and enjoy the scenic beauty that the resort has to offer."
in tourpakistan.com


"At the head of this photogenic valley 45km northeast of Mingora is a ski resort and PTDC Motel (telef.0936-755588; s/d chalet Rs 1350/1800 st Rs 2000/2500 deluxe Rs 4500). The ski season is from January to April, with January and February the best months. The small resort has a chairlift, beginner's slope and advanced slope. An excavateds stupa and monastery are a 15' walk away. At 300m-plus, the viewa up the Swat valley and east to the Karakoram are excellent."
in Pakistan & the Karakoram highway, Lonely Planet ed., 2004.

O motel fechou em 2007 e foi queimado pelos taliban em 2008. Fica no vale de Swat.

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sexta-feira, março 13, 2009

A minha contribuição para o Plano Nacional de Leitura


Ontem foi dia grande para o Plano Nacional de Leitura deste país, eu e a minha filha fizemos uma leitura conjunta em plena aula de Português de um obscuro 5º ano neste país de subúrbios remediados.
Antes de mim outro pai se dispôs ao mesmo “papelinho”, como antes se dizia. Tratava-se do delegado dos pais da turma em questão, eu mal o conhecia, defeito meu. Um pouco conversámos, agradeci-lhe um email informativo, era o mínimo. Depois entrámos, cumprimentei a minha filha pondo-lhe a língua de fora, recebi igual resposta, dizem portanto que se parece comigo. A Boavista é um sítio onde muita gente tem vários compromissos, e costuma ser “às seis”, assim o outro pai - que me pediu para ler primeiro. Obrigado. A leitura foi de um conto dos irmãos Grimm, chamado julgo “O Arrependimento”. Não dos meus conhecidos, e não ficou a ser dos meus favoritos. Parece porém que a colectânea pertence ao tal Plano Nacional de Leitura, olaré. O conto em questão metia a Virgem Maria, idas e vindas entre o céu e a terra, e tudo girava à volta dos perigosos pecados da curiosidade, da mentira e do orgulho, génese de todos os males que esta Terra afligem, e neste conto quase levavam uma menina literalmente… à fogueira, ora nem mais. Este pai meu antecessor, que fez uma leitura também em conjunto com o filho mas onde 96,43% das falas eram suas, abriu no fim da prelecção um pequeno espaço de debate que infelizmente as crianças não aproveitaram – afinal estas crianças de hoje com dez, onze anos, ainda se assustam com a perspectiva de uma criança ser queimada viva.
Depois nós. Pois. A minha filha escolhera o 2º acto da peça “A Asa e a Casa” da Teresa Rita Lopes, que tínhamos visto representada pela Pé de Vento há pr’aí dois anos – mas ela lembrava-se bem. O texto não tinha propriamente moral nenhuma e eu matreiramente apenas assegurava para aí 60-65% da posse de bola, ou não fosse eu um bonecreiro a tentar puerilmente seduzir uma rapariga vendedeira de bolos. Aqui também sobrevoavam pecados mas parece-me que mais veniais: o riso, a poesia, as artes teatrais. No fim não abri espaço para discussão nenhuma, o professor de Português, um rapaz de mangas arregaçadas com aspecto mais de Trabalhos Manuais, queria era mesmo começar a aula. Ao descer as escadas cumprimentei o meu parceiro de leitura dizendo que os dois textos lidos de alguma forma tinham sido complementares… Eu acho que ele compreendeu a ironia.

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quinta-feira, janeiro 22, 2009

Subitamente

A civilização e o desenvolvimento tem destas coisas. Uma amiga minha contou-me que um seu irmão, “estrangeirado” e padecendo de uma qualquer doença cardíaca foi proibido pelo genro, nativo lá da terra estranha e culta, de ir buscar as netas ao jardim de infância, por medo de ao avô poder dar “alguma coisa”, coisa qual seria muito mau exemplo para as miúdas, nativas de dois e quatro anos de idade. Indo pela pior hipótese, a morte súbita, curiosa expressão, acompanha em risco variada patologia, incluindo alguma cardiovascular, disseram-me. Desconheço se “lá fora” conhecem a famosa canção dos Xutos sobre a “morte lenta”, outra curiosa expressão. Da vida para a morte desenha-se afinal uma linha contínua, uns dizem que se desce outros que é a subir, uma variável contínua porque variável pode ser a forma de morrer, e vem a ciência e depois define: “aqui ainda estava vivo”, “agora já não, está morto”. Sabemos que não é bem assim.
Esta odiosa proibição lembrou-me um episódio que ocorreu na minha mais tenra infância, teria eu uns quatro, cinco anos, mais não. Morava na Ribas, bairro que na prática são duas ruas de Ovar na direcção para a Ribeira, e fôra acompanhar o meu pai a buscar vinho – o garrafão de cinco litros da praxe, estamos a falar de 68,69 – ao armazém de vinhos que então ali ficava no gaveto donde partia a rua para o Hospital, fim da João de Deus, início da Alexandre Sá Pinto. Pouco abaixo era a Cooperativa do F.Ramada, inveja de quem não podia entrar, pouco acima os dois armazéns de sal, tugúrios onde eu às vezes ia comprar sal a granel, ao peso. Esclareço que os cinco litros davam para bastante tempo.
Enquanto se enchia o garrafão a conversa dos homens, e eram três, girava em torno da alta recente de um deles do Hospital de Ovar, nem eu percebia que doença tinha sido, nem o homem em questão me parecia doente. Não sei porque tenho a impressão que estava ali mas a comer alguma coisa, um bolo de bacalhau, não me lembro bem, como se a recuperar da fome que o internamento provavelmente lhe tinha originado. De repente o homem parou de falar e revirou os olhos. Escorregou até ao chão e ali ficou deitado, a boca aberta, alguma comida ainda sem entrar. Lembro-me distintamente e a cores da cara do homem, congestionada primeiro, depois branca como papel e finalmente cada vez mais arroxeada até atingir um roxo escuro. Os presentes, o meu pai e o armazenista, deram algumas sapatadas ao homem, talvez uns bofetões. Os primeiros-socorros eram um saber por saber naqueles tempos. Nada: o homem morrera ainda antes de ter tempo para se engasgar. Telefonou-se para os bombeiros, que ficavam a duzentos metros. E ficámos à espera, dois adultos, uma criança e um morto. Lembro-me do silêncio. Os bombeiros vieram, pegaram no corpo e levaram-no para o Hospital, que ficava trezentos metros à direita, a verificar o óbito. Não me esqueci deste episódio, pertence à dúzia de flashes que possuo da minha primeira infância. Não me sinto traumatizado, nem no sentido ortopédico nem em nenhum outro pelo acontecido, desde então sei que a morte existe e é como uma invisível corrente que nunca sabemos a que perna se vai agarrar e é só isto. É ter cuidado e ver onde pisar, avisando o próximo se de um amigo se trata.
Lembro-me também de um dia, ao atravessar a correr a Praça um velhote ter-me agarrado pelo braço e perguntado: “Tens medo de morrer?” ao que eu respondi: “Tenho!”. O velhote riu-se a bom rir, “e porque tens medo”, “e olha ele tem medo” e já então, do alto dos meus seriam oito, nove anos, me pareceu um absurdo não ter medo de morrer.
Tudo isto não levanta o ser odiosa a proibição acima.

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Pubalgia

Saltava de um pé para outro e falava e falava, desenvolvendo o tema com uso exaustivo de toda a ciência. “É curioso”, “estava agora mesmo a ler”, “ foi publicado recentemente”, e o mesmo jogo de pés ou melhor de pernas baralhava a estabilidade da imagem, dando vontade de parar o televisor, de segurar este homem pelas orelhas. “E não o chateio mais” – a verdade pela boca das crianças… - “tenho que ir a uma consulta por causa de uma pubalgia”, “eles não sabem muito bem a que se deve”. Rodando o facto de uma pubalgia não ter direito ao mistério, saltava à vista que estando o osso púbico ali no meio entre as partes direita e esquerda de um corpo que se dessincronizava perpetuamente nuns como que pulos, como não estar doente da charneira, ter essa famosa dor dos futebolistas “e eu que sou um fanático do exercício físico”, pois, “e um bom ano com saudinha”.
Jovem, e a tua vida sexual, sofre com essa tua pubalgia?

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domingo, dezembro 28, 2008

Oh bother! (It rains in my room, still!)

Quando chove na rua, chove no meu quarto, como uma décalage (há quanto tempo não liam uma palavra como esta?) de 1-2 horas, não mais. A chuva pára e um lapso de tempo similar distancia o parar da chuva no exterior da mesma paragem no interior.
Moro num último andar, o problema está portanto no telhado comum, vá de telefonar ao condomínio, uma empresa matosinhense dinâmica e em crescendo. O problema está também porém em que… quem nos atende do outro lado, o homem que coordena os arranjos e as reparações… é gago! Eu até o conheço, parece-me esforçado, bem educado e prestável, quando eu lhe digo que o último “arranjete” que fizeram ao telhadinho de nada serviu ele responde: “Ó pá, a sério? Que cha… gh… … ti… gh… ce!” Percebe-se no amplificar da gaguez que o homem sente realmente o cair das gotas de chuva pelo menos tanto quanto o soalho, os livros, a roupa, os adereços - o que quer que no meu quarto esteja sediado a Sudoeste – que é onde chove. De modos que os meus telefonemas com este senhor terminam quase sempre num pedido de desculpas por o ter perturbado, sendo o medidor da perturbação os silêncios engasguetados que obtenho do outro lado da linha, percebendo eu também porque o gajo que devia subir ao telhado para resolver esta merda de uma santa vez não lhe atende o telefone – é que não há respeito possível perante uma voz de mando que gagueja e pede desculpa, é uma combinação letal!
Portanto, quando via deixar de chover no meu quarto? Abril? Maio? Março?
Resposta: "Ó pá, não gh... ... ... sei!"

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domingo, novembro 02, 2008

O Vaticano em dificuldades pede ajuda

Um amigo meu, cuja profissão me dispenso de elucidar, foi recentemente assistir a uma missa na igreja da Lapa. Era dia de solenidade, missa cantada, a ex-professora de instrumento da sua filha tocava, era dia para a criança afogar as saudades.
O meu amigo não sustentou toda a missa, ele não é, digamos, religioso. A missa, com toda a sua solenidade, foi muito bonita. Curiosamente porém, sentiu dentro do templo um peso de afirmação de alguma coisa que, em frequências prévias lhe escapara. Como se uma questão territorial, onde ele não entrava.
À procura da instrumentista teve um encontro surpresa.
"Olá, por aqui?" "Acabo de chegar do Ruanda..." "Aquilo por ´lá está um pouco quente, não?" "Pois sim, o Congo é o coração de África, tudo gira à volta do Congo!" "Pois, John Le Carré, Conrad, o Apocalypse Now..." "Eu só conheço o filme do Coppola mas aquilo ali é cem vezes pior, é uma conjugação de negativismos..." "Hummm..." "Eu falo-lhe disto porque sei que tem um espírito aberto a estas coisas..." "Hummm..." "Eu tenho noventa mil horas de meditação, já estive em todo o lado, Chichen Itza, Ulan Bator, eu sou duma corrente de Taoísmo que, e olhe que não sou um novato, e todos dizem, até 2018 viveremos uma nova época das trevas, eu..." "...tenho que ir!" "Espere, estive em Roma, a maior mesquita do mundo, ein? A maior, em França onze milhões e a uma só voz, agora pergunto-lhe, onde estão as catedrais na Arábia Saudita, eu quero catedrais na Arábia Saudita..." "Pois..." "Porque nasceu tudo em África, este negativismo, eu sou um homem de paz mas também sei ser guerreiro, por isso é que o Vaticano me pediu..."

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terça-feira, julho 22, 2008

Apanhado na Net

"Apesar de ter escolhido como o maior português D. Afonso Henriques, não posso deixar de enaltecer a memória de um dos maiores conterrâneos de que me posso orgulhar: Conselheiro Abílio Beça.
Nascido em Vinhais, veio a tornar-se Governador Civil de Bragança, sendo um dos mais acérrimos defensores da chegada dos Caminhos-de-Ferro a Bragança, data que perfaz no próximo Dezembro 100 anos.
Depois de concretizado este grande sonho do povo trasmontano, Abílio Beça viria a morrer em 1910 na estação da Linha do Tua de Salsas, hoje em dia estupidamente sem comboios, quando se desiquilibrou de uma carruagem e foi trucidado pelo comboio. O seu busto continua presente ao largo da estação ferroviária de Bragança.
Honra à sua memória e esforços, tão esquecidos no presente!" (10-2006)

Moral da história: mete-te com o comboio e não digas que não levas com uma locomotiva em cima!

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quinta-feira, junho 19, 2008

44 anos

Tem 44 anos, é grande, pesada. Pêlos a mais por quase todo o corpo, a face masculina. Começou a ouvir vozes pouco depois do começar da idade adulta. Tendo sido esta algo difícil de acontecer, outras duas irmãs também com internamentos psiquiátricos, agitações, violência. Os primeiros homens foram simpáticos com ela, quase que houve como que um agradecimento mútuo, tão difícil é às vezes este comércio da carne quando não remunerado, tão cheio de confusões, espetar de bandeiras. Ou de bandarilhas, assim se sentiu quando ficou grávida do filho, depois com o tempo uma alegria estranha, acabou por casar mas as coisas nunca correram bem, ele o pai da criança nunca aceitou aquela imposição de casa e filho e jantarinho, não lhe batia porque era dez centímetros mais baixo e pesaria menos dez-quinze quilos, bebia muito mas a coragem não acontecia, um dia disse “vou-me embora mas antes...” pegou numa faca, ela apanhou-lhe o pulso e mandou-o para o hospital com fractura do rádio, a partir daí o tribunal de menores quis tirar-lhe o filho, embora nos relatórios sempre aparecesse “filho não tem ar de descuidado, vai ao infantário, desenvolvimento normal para a idade, sem hx de violência, parece haver bom relacionamento com a mãe”. O médico nas urgências perguntou-lhe como tinha conseguido fracturar só o rádio, ela explicou, o pulso avançou, ela parou-o e depois foi só apertar e amassá-lo contra a parede da cozinha, apanhou um carregador de telemóvel no caminho, daí o esfacelo e a fractura localizada.
Até para as limpezas as mulheres não se querem tão feias daí a inconstância dos empregos, de vez em quando as vozes vinham depois iam embora, acabou por ganhar-lhes algum carinho, avisavam-na sobre maldades e na verdade à volta dela quem lhe queria bem, quem, a não ser o filho de seis anos, dizia o relatório que ficara mais estranha desde Janeiro e entre parêntesis punha: “(desde a separação do marido, que pediu o divórcio)”. Que estranho, não se percebe bem estas coisas, agora o marido diz que o (seu) filho estaria melhor com a nora, a irmã, verdade se diga que esta não está internada no Magalhães de Lemos há 3 anos, medida possível de estar melhor do que, mais capacitada, ela sim está internada neste preciso momento, ninguém lhe traz tabaco, não a deixam ver o filho, de certeza a irmã quer-lho tirar, ela não tem nenhum, é o que as vozes lhe dizem e elas raramente se enganam tem sim estado mais triste porque as vozes já não falam tão alto, os medicamentos funcionam como uma borracha de apagar e ela começa a sentir-se perdida, e vem um médico observá-la porque tem tosse e anda cansada e no fim diz “E deve deixar de fumar!” ao que ela responde que sim, porque não, “o meu filho diz-me também a mesma coisa...”.

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domingo, junho 15, 2008

Dia sim dia não

Estive há dias com um amigo meu mais velho, coitado, tem a mulher internada num hospital, doença grave. Sanguíneo, nervoso, conseguira após uma dura batalha com a instituição que a esposa, diminuída pela doença, fosse não para casa, onde ele não poderia atendê-la adequadamente, para um daqueles novos hospitais ditos “de retaguarda”, que é como quem diz: “ora põe este doente lá p’ra trás”. Adiantemos. Eu fiquei contente por ele, claro, e julgo que pela senhora em questão também, conhecia-a menos, fôra visitá-la só uma vez, não me tinha reconhecido o que nem me surpreendeu.
A conversa seguiu depois por outros caminhos, o meu amigo começou a comparar os hospitais, privados e públicos, deste país com os da África do Sul, esse país mitológico onde ele vivera já vai para mais de vinte anos, lá tudo era ideal, tudo perfeito, esta discussão já eu tinha perdido há muito ano, o meu amigo era pelo menos “sub-racista”. Viera para Portugal ainda Mandela estava na prisão, claro, o lamento foi porém não ter sido operado à próstata lá mas cá, não pelo resultado – tinha corrido bem, ainda mantinha potência e conseguia ter relações dia sim dia não – pelo resultado não mas pelo tratamento, pela lisura do manejo das questões monetárias e eu a pensar, primeiro, ó meu, afinal andas a foder quem, a mulher acamada no hospital, segundo, que aborrecimento o taxímetro, dia sim dia não, quem quer que seja a fêmea ter que estar atenta ao letreiro na porta: “hoje sim/ não hoje”…

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quarta-feira, abril 16, 2008

A doença é minha!

"Existe um colonialismo das doenças", refere um amigo meu, que é médico. "És um tipo qualquer, médico, físico, biólogo, uma destas coisas, descobres uma constelação de diferenças, de erros, de alterações do normal e acabas por lhe dar um nome, o teu nome, como se isto fosse a Polinésia e tu o Capitão Cook." Falamos de achados, diferenças, limitações e achaques que o são para quem deles padece, todos os dias, realmente ou através daquela ameaça terrível que é a das situações latentes, vulgo Espada de Dâmocles, etc e tal.
"Porque não atribuir o nome de uma destas terríveis doenças não ao "inventor" da coisa, que se safou saudável da silva e resolveu morrer de uma outra qualquer indisposição mas sim a alguém conhecido que realmente tenha apanhado com a maleita e, de preferência, tenha convivido bem com a mesma? Porque não desaparecer a Doença de Parkinson e aparecer a Doença de Muhammad Ali, ou do Johnny Cash?" O meu amigo é um incréu, por isso omitiu de propósito o pretérito Papa. Mais disse ele - que estas doenças são de um peso enormíssimo nos ombros de quem as tem, de quem as acompanha. Sofrem ao mesmo tempo de uma longa cortina de invisibilidade para a larga maioria que delas não sofre, e portanto as desconhece ou apenas reconhece um rabisco grosseiro de, um esboço errado, uma sombra. "Porque não renomear a doença conforme os bons exemplos de convivência com a mesma, "de bairro para bairro", aqui a Doença da Rita, ali a Doença da... Sandra, por ex.?"
O Dr. James Parkinson descreveu a "sua" doença como "a involuntary tremulous motion, with lessened muscular power, in parts not in action and even when supported; with a propensity to bend the trunk forwards, and to pass from a walking to a running pace: the senses and intellect being uninjured". Os doentes com Parkinson, perdão, com a doença deles teriam tão mais coisas para contar!

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terça-feira, abril 01, 2008

Elite Model Brasil 2005


Guilherme Gama

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sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Hipercaos


Já só tenho uma casa.

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quinta-feira, dezembro 06, 2007

Televisão ou Não

Neste momento na televisão acontece uma reportagem sobre quem - por opção própria - não tem televisão. Cujos quais, sem televisão, a reportagem não verão nunca...

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terça-feira, dezembro 04, 2007

TSF ontem à tarde

É de homem que um médico fale na rádio sobre o mau hálito, é de homem! Escusado foi chamar ao tema "embaraçante"!

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segunda-feira, dezembro 03, 2007

Zara Cidade do Porto 16h43m de um sábado


"Susana, é favor atender uma chamada no armazém!"
Passados dez minutos, ele insistia...
"Susana Lopes, é favor..."

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sexta-feira, novembro 09, 2007

CPC

Clara, precisava de "Um Esquema"...

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sexta-feira, novembro 02, 2007

Do Sportinguismo

Um amigo meu, médico, tem uma filha que "anda" no ballet. Alternando com a sua esposa na entrega e recolha da filha destas lides, este meu amigo tem com frequência conversas mais ou menos de circunstância com pais e mães de crianças semelhantes à sua: também "andam" no ballet. Com alguns desses pais/mães já encetou até algum grau de amizade. Um destes dias uma destas conversas teve foros de revelação. Julgava-se este meu amigo um sportinguista fervoroso. Descobriu não o ser.

Nestas conversas, guiadas pelo acaso e o curto tempo disponível, ainda mais porque já é horário de inverno e a recolha já se faz de noite, os temas saltam de uma forma imprevisível, tendo as mais das vezes morte rápida. Assim foi os hábitos de televisão dos presentes. O meu amigo referiu a sua frequência preferencial do Cabo, e dos canais Panda, Nickelodeon e "Sporting", ou seja, via o que a filha via, forma de estar com em regime de tempos familiares apertado, mais o tempo que o seu vício de sportinguista lhe pedia, dos poucos vícios que se permitia aliás, mais ainda, com a comissão extra de se permitir um sofá cómodo e prazenteiro para a execução a preceito do "viciozinho".

"Ah, o senhor é sportinguista!" Quem assim cortava era um homem para o baixo e para o forte, fato escuro com um risco fino e colete, isto tudo a rodear uma cara de rapaz a quem tinham oferecido um rebuçado. "Eu sou sócio dos antigos do Sporting aqui no norte. As minhas duas filhas são sócias desde que nasceram. Eu e a minha esposa vamos às Assembleias Gerais votar. Estivémos na inauguração do Alvalade XXI. Eu..." O meu amigo, aturdido com tanta fidelidade e sociedade respondeu com considerações sobre a equipa, o Miguel Veloso, o João Moutinho, que este lugar, aquele sistema, jogando no prazer de simular o entendimento do que não é mais do que um jogo, portanto com tácticas, com estratégias, já lá dizia o Gabriel Alves... Mas o interlocutor não ia muito por aí, via-se pouco afoito nessas considerações, a dele era a tribo, o sportinguismo quase como entidade teórica surreal. Separados pelo aparecimento em tropel das bailarinas/crianças/filhas, juraram-se sportinguismo eterno e cada um marchou para o seu lado. O meu amigo, que nem sócio é do seu clube do coração, carregava porém um pesado sentimento de culpa, ou melhor, de "defeito"...

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