quarta-feira, setembro 02, 2009

Otal


Custa sempre bastante mais do que aquilo que vem nos livrinhos de percursos pedestres, mas lá se conseguiu: Otal é um pequeno vale glaciar perfeito, pendurado sobre Bujaruelo e rodeado de montanhas cujos cumes ultrapassam os 2500m. Tem o riacjo da praxe, vislumbres de gelo lá em cima...

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Bujaruelo


O vale de Bujaruelo é um vale lindíssimo, não pertencente ao Parque Nacional, e que vem terminar ao entroncamento onde também termina Ordesa. O seu pico de origem já não o Monte Perdido mas sim Vignemale, outro "três-mil". Ao não ter o mesmo grau de defesa é acessível ao trânsito automóvel em boa parte do trajecto e tem uma carga de campismo interna considerável, e talvez responsável pelo cheiro a matéria fecal de alguns desagues perto... Bujaruelo precisa de quem lhe ponha a mão com urgência!
Como primeira incursão nos Pirinéus fizemos alguma caminhada no vale de Bujaruelo com posterior inflexão com razoável subida anexa até um vale de origem glaciar colateral, o vale de Ozal.

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Ordesa in the morning


De manhã finalmente percebemos logo porque tanta gente procura Ordesa.
Em direcção a norte do parque de campismo onde estávamos, via-se em anfiteatro as paredes nuas de mais de mil metros de altura de Mondarruego, postal de boas-vindas de Ordesa. E que postal!

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Ordesa by night.

De Pamplona chegámos já de noite a Ordesa. Ordesa, esclareça-se, é muitas coisas. Começa porém e termina sobretudo por ser um grande vale de origem primariamente glaciar no Pirinéu Aragonês, cara sudoeste do maciço do Monte Perdido, 3ª cota mais alta dos Pirinéus (3355 m). O vale tem portanto uma orientação predominantemente para poente, com vertentes rochosas delimitantes de aprox. uns mil metros de um e do outro lado. Sendo um vale de uma beleza natural estonteante dá portanto nome primeiro ao Parque Nacional del Valle de Ordesa y Monte Perdido.
Dois km ao norte da aldeia de entrada no parque, Torla fica um complexo de camping, bungalows e hotel que toma o nome do vale. Fomos dormir então nessa noite a um bungalow. Percebemos que o hotel era interessante e o camping uma confusão. Agosto...

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segunda-feira, agosto 24, 2009

Em dia de não-Sanfermín.

Pamplona é a capital "perdida" do mundo euskera. "A Cidade", o mito da independência de Navarra, desde sempre encravada entre Castela e Aragão e posteriormente dominada por interesses franceses até Fernando, o Católico ir resolver uma luta entre bandos de nobres rivais e "de paso" tomar conta do reino para sempre. Ficaram "os fueros", por isso ainda hoje de seu nome completo "Comunidade Foral de Navarra". Onde menos de 50% dos habitantes se sentem bascos. Mas onde ouvimos falar quase mais euskera nas ruas que galego em Coruña... Terra conservadora de colégios, institutos e conventos, a Universidade de Navarra (Opus Dei) vs a Universidade Pública de Navarra... Que numa semana em Julho tem a 3ª festa mais concorrida do mundo, pelo que li, a seguir ao Carnaval do Rio e a festa da cerveja de Munique! Onde regularmente morre gente - não da terra que esta corre os touros mas sabe como se faz. Ali bem no centro o Hotel La Perla vive da instituição Hemingway. Pamplona está ancorada em Espanha por estes dois braços paradoxais, a loucura dos Sanfermínes, cartaz ibérico como não há outro, e a presença marcante da Opus Dei em todas as suas instituições comunitárias, não só sanitárias ou educativas... Como separar o que Deus uniu, Deus... e o Diabo dos cornos de touro?

Pamplona tem um centro histórico - confesso que a expressão "casco viejo" soa-me bem melhor - também muito interessante. Algo mais senhorial que o de Vitoria, algo menos popular. A vertebrar os percursos turísticos pedonais as ruas por onde os touros são largados até entrar na praça. A mais importante a Calle Estafeta, quase completamente "balconada" por razões que não se explicam. Comemos - 2ª feira - no outro restaurante que estaria aberto no Domingo à noite, ficara a referência, ao lado da Praça de Touros e em frente a um instituto de padres. Logo à esquerda terminava a Calle Estafeta. Reunam isto tudo num só, eis Pamplona.

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domingo, agosto 23, 2009

Pamplona/Iruña

O caminho entre Vitoria e Pamplona tinha sido muito agradável, com bonitas montanhas, vales verdes e amarelos, numa curta viagem de pouco mais de uma hora.
Afinal de contas, durante séculos Vitoria pertencera a Navarra. Tivémos alguma dificuldade em encontrar o hotel em Pamplona até descobrirmos pelo mapa que ele ficava perto dos "Hospitais". Hospitais em Pamplona há uns quantos e todos com excelente reputação. O "turismo sanitário" em Pamplona é uma realidade - e muitos portugueses sabem do que eu falo. Pois em Pamplona há muitas indicações para ir ter à zona dos "Hospitais". Imediatamente antes, o hotel! Sucede que era domingo. Sucede que segundo o guia só dois restaurantes em Pamplona não fechavam ao domingo. Fomos ao primeiro - de férias! O segundo ficava bem dentro do casco histórico, e já era muito tarde. Terminámos num "chiringuito" razoável logo ali.

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P.E.R.I. Stop!


Pela manhã do dia seguinte encetámos a exploração adequada do centro histórico de Vitoria-Gasteiz. Subimos Virgen La Blanca pela lateral direita, descobrimos uma interessante e porticada Plaza de España a preparar-se para as festas grandes da cidade, e depois lá entrámos nas oblíquas ruas da "amêndoa" medieval. Nota feia: umas escadas rolantes estilo-aeroporto para subir as íngremes ruas laterais da amêndoa, de forma a que o turista não se sinta desencorajado. Não notei grande uso das mesmas. Vários bares e tascas tinham um aspecto algo irredentista, e os letreiros em euskera obviamente pululavam. Sentia-me um pouco como que em território comanche. Ruas muito bonitas, ambiente de bairro muito vivo. Para variar chegámos ao outro extremo da amêndoa à hora de fecho da visita da catedral velha, em obras de restauração. Por ali almoçámos, circulámos em sentido contrário, descemos pela Plaza del Machete, onde com um machete o Alcalde fazia tradicionalmente o juramento dos forais, perdemos algum tempo numa feira de artesanato, e... destino Pamplona/Iruña (ou Iruñea... que em euskera quer dizer... "a cidade"!).

Nota: em muitos sítios vi cartazes com o dístico "PERI STOP!". Assumi imediatamente que esta era mais uma expressão em euskera de recusa dos estrangeiros, dos espanhóis, sei lá! Não entrei em nenhum dos sítios onde um cartazinho com a expressão "PERI STOP!" aparecesse. Descobri anteontem na internet que "P.E.R.I." é o plano de reabilitação do casco histórico de Vitoria que, entre outras coisas inventou aquelas passadeiras elevatórias horríveis de acesso. Ah! Comanches dum raio!

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quarta-feira, agosto 19, 2009

Vitoria-Gasteiz

E ao fim da tarde chegámos a Vitoria-Gasteiz, capital de Euskadi. Tinhamos acabado de atravessar a Peninsula Ibérica: almoçar em Chaves, Portugal, jantar por acontecer - Vitoria. No parque de Florida, em frente ao hotel, dezenas de idosos dançavam ao som de uma charanga. A temperatura era amena, no hotel (sábado) a confusão de não um mas dois casamentos - saímos. Após pergunta bem respondida fomos orientados para uma sidreria, a Sagartoki. Atravessámos o parque, a linha de um metro irmão-primo do portuense, chegámos à Plaza de la Virgen Blanca, a sala de visitas da cidade. Explêndida praça, irregular como se quer e em subida, e isto porque a parte velha da cidade, a aldeia de Gasteiz, foi edificada sobre um morro em forma de amêndoa, num extremo esta praça e no outro a catedral velha, em obras. A forma amendoada desta colina ressalta nas ruas, paralelas em "((" e "))", isto descobriríamos no dia seguinte. Á esquerda da Virgen Blanca ficava a sidreria, onde comemos muito bem. A Catarina escanciou toda a sidra que quis, e assim se fez um 1º dia de férias. Quando voltámos ao hotel felizmente já os casamentos tinham sido consumados e desaparecido.
Vitória: Gasteiz - tinha acabado de descobrir mais outra Espanha. Espanha?

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segunda-feira, setembro 01, 2008

Férias

Ou isso...

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quarta-feira, dezembro 12, 2007

O Vale Glaciar do Zêzere


Não percebo porque neste país não se venera este vale, esta paisagem. Quase se consegue ver, ouvir, medir a temperatura do gelo a descer majestosamente até Manteigas.
O Zêzere, recém-nascido no Covão da Ametade, brinca a descer e depois guina para a esquerda, seguindo para Manteigas, suas Caldas antes. Recebe água e água, riachos, cascatas, fontes, da direita e da esquerda.
Há dezenas de milhares de anos a Estrela era uma fábrica de gelo para sete glaciares, este o mais extenso, a sua marca na pedra como por labor de uns quaisquer trabalhos manuais, não em pedra executados mas em madeira macia de pinho, veja-se a perfeição - catorze quilómetros.
Pinheiros que arderam na vertente leste, num destes anos de chumbo.

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O Cântaro Magro







É o fenómeno geológico talvez mais impactante da Estrela, tendo talvez o "azar" de não chegar à altura da Torre, pois corresponde a um "abcesso" de granito antes do planalto em que a Torre se situa, e por a Torre ser um pequeno planalto é que com frequência se transforma em recreio de pequenos e grandes, se nevada.
O Cântaro Magro, em conjunto com os Cântaros Gordo e Raso, é outra música. De escalada não difícil no verão pelo lado Sul, as suas outras caras serão a delícia de escaladores e quejandos. Os Cântaros chamam-se assim por rodearem em circo o Covão da Ametade e lhe fornecerem as águas, nascendo assim o Zêzere. Rodeiam-no criando um anfiteatro monumental, mas têm um recesso mais escuso, o Covão de Cima, assumo que de difícil acesso, com aquelas pequenas lagoas que se fotografaram.
Fala-se de poemas em pedra, e não se pode querer mais.

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Fim de Semana na Estrela



Foi pouco mais do ue um fim de semana mas teve a felicidade de coincidir com as primeiras neves.
E lá se fez a subida à Torre, branco ícone do imaginário nacional, com a sorte de ainda pouca gente saber dos primeiros nevões, e ser dia de semana. Isto à 2ª tentativa, que na 1ª voltámos com o rabo entre as pernas perante um nevoeiro cerradíssimo. Basta dizer que desci pela Lagoa Comprida mas nem a vi!
Eu sei que a Estrela é muito mais do que isto, mas...

Sobre o centro comercial que para ali há, faltam-me as palavras.

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quarta-feira, outubro 10, 2007

Liencres e o pinhal de entre Furadouro e Maceda



Liencres é uma belíssima (e ventosa) praia cujas dunas - local de gay dating muito aparente - são protegidas como Parque Natural. Este estará mais dedicado à zona arborizada do que propriamente ao interessante cordão dunar, talvez por este se encontrar muito mais... "humanizado", vidé ref. acima.
O rio que se vê desaguar ali é o rio Pas, que umas dezenas de kms antes dá nome ao vale onde se confeccionam os deliciosos "sobaos pasiegos". Na peça do puzzle do meandro que penetra em direcção ao pinhal o Governo Regional fêz um golf de 9 buracos. Discutível... to say the least.



Sugiro a comparação da extensão da cobertura dunar por pinhal em Liencres com a extensão de pinhal plantada - também sobre dunas - em finais do séc. XIX entre o Furadouro e Maceda. Parque quê? A altura das imagens do Google Earth é a mesma. Este nosso pinhal, conhecido popularmente pela "Mata", era aqui há uns anos centro de prostituição e abundante. Lembro-me de num giro matinal (e pueril) pela conhecida como "Estrada da Mata" há aprox. dez anos ter visto uma dezena de prostitutas a dormir no meio dos pinheiros, imagem que não deixava de ter o seu quê de poético...

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Santander







É da praxe dizer que lembra A Coruña, mas será da praxe dizer que também nem tanto... Santander capital a Cantabria, pelo capricho do desenho da sua baía é uma cidade do norte virada a sul, com as praias do El Sardinero botadas para poente. Do pouco que se espreitou, e para o bem e para o mal, é cidade que "tresanda" a qualidade de vida...
Ah, e tem um casino que lembra o da Póvoa, e um café à frente de nome Lisboa, onde se come MAL.

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quinta-feira, outubro 04, 2007

Fuentedé




Fuentedé é a porta sul para os topos dos Picos de Europa. Um teleférico de vertigem deixa-nos a 1900m. A partir daí tudo nasce do caminhar que se toma. E não é preciso muito, uma centena de passos consegue afastar-nos do formigal que sobe apenas para ter subido e logo desce, depois de chatear as ovelhas...
A centena de passos dada, e o silêncio está ali.

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quarta-feira, outubro 03, 2007

San Vicente de la Barquera










Faltam palavras para descrever a localização fantástica desta pequena cidade pesqueira, na transição de Cantábria para Astúrias. Rodeada de uma vega lagunar onde terminam dois rios, com castelo e igreja a dividirem uma colina plantada entre esses dois braços de água, o que resta da cordilheira cantábrica a poucas dezenas de kms e a golpe de vista, praias à discrição, enfim...
o Google Earth explica, mais umas fotografias...

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domingo, setembro 30, 2007

Rinocerontes e Hipopótamos







Os rinocerontes têm um espaço discreto. Um casal. As pessoas mexem-se, o macho vê, cheira, investe. Passa tempos nisto, a cornamenta contra o aço das vedações. E nada acontece. O mito do rinoceronte desfeito por uma banal vedação.
Os hipopótamos têm um lago bem grande só para eles donde raramente serem avistados.



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As Focas





E claro que Cabárceno tem um espectáculo de focas. Parecem felizes e a tratadora gosta muito delas. Que remédio!

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Os Carnívoros




Em Cabárceno os carnívoros, afundados em grandes fossos onde pouco mais fazem que dormir e comer o que lhes dão, pois não há o que caçar, não são aquele espectáculo que se desejaria. Donde não o sucesso desejado. Ainda assim os leões estão menos mal do que os jaguares ou os tigres, animais de espaço menos aberto no seu habitat natural. Aqui não há solução.

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quinta-feira, setembro 20, 2007

E Elefantes...






Mas o Parque de Cabárceno tem uma Estrela Maior que se chama o recinto dos Elefantes...



Que pode ser visionado da própria povoação de Cabárceno, sem entrar no parque, à borla.



É um espaço bastante grande, com uma bonita moldura mineral, e que termina literalmente na povoação. Os animais têm bastante espaço para caminhar, pastar e interagir quase com se em savana fosse a coisa... embora não haja uma árvore...



Fantástico!

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