segunda-feira, outubro 13, 2008

Da Luz

E de repente o abismo surge. Que o vais saltar acompanhado. Como preferias rejeitar a companhia! Como procuras ardentemente uma ponte, uma corda, uma linha sequer de referência! Mas não, resta-te o abismo, inteiro. Parte do tempo, da terra mesma. O abismo aproxima-se e desconheces o gesto mais correcto ou já não te lembras, como era? Faltam poucos metros e não sabes se melhor seria saltar lançado, em seco, não sabes. Nem, ao fim destes anos todos, sabes se é este o momento para dizer: "agarrem-se a mim, não tenham medo"...

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sexta-feira, janeiro 11, 2008

A Polícia do Porto e os Espanhóis... e outras coisas.

Uma amiga minha, enfermeira, tem um casal - de amigos - de nacionalidade espanhola. Foram passar os Reis... a Espanha. Quando voltaram encontraram casa aberta... e as camas. O resto tinha voado. Chamaram a Polícia do Porto, que tomou conta da ocorrência. No manhã seguinte a GNR apareceu-lhes em casa para apreender o carro, ue era de matrícula espanhola, pois tinham recebido uma denúncia... da Polícia. Já estavam sem recheio, ficaram também sem o veículo de transporte.
Ainda duvidam da eficácia da Polícia do Porto!

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terça-feira, outubro 25, 2005

Que doentes estamos...

Hoje a Catarina não teve aulas. Ontem sim, foram dadas pela professora estagiária, a qual foi dizendo que a professora... titular estava doente, portanto... terça gazeta, mas que quarta estivessem descansados os meninos, a doença já estaria curada. Por um lado fiquei contente pelo controle sobre a maleita que a professora da minha filha aparenta ter. Deve ser uma mulher de carácter. Por outro lado também fiquei contente por ela trabalhar numa escola pública. Com a frequência que a senhora adoece já teria sido despedida num qualquer colégio privado.
A esposa de um amigo meu é enfermeira num hospital. No seu serviço há 4 auxiliares, 4. 2 estão de baixa por depressão. Quando ela questionou 1 dos auxiliares sobre a situação ele respondeu: "pois é, e assim tenho 82 horas a mais ! Mas quando elas vierem vou eu de baixa por depressão, limpinho ! E depois vai a nº 4 também !" É o que eu digo, os portugueses têm poderes mágicos: tratam a doença por tu, começam-na, acabam-na, definem-lhe a gravidade e a domiciliação...

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domingo, março 06, 2005

A Globalização e a Eutanásia e o que mais se verá...

O filme espanhol "Mar Adentro" de Aménabar, ganhou o Oscar para melhor película estrangeira. E assim finalmente chega a Portugal o facto cinematográfico do pais-ao-lado de 2004: sem Oscar não sei se o veríamos por cá. Globalização ? Nem na península !
Já muitos sabem tratar-se da história de um tetraplégico acidentado que quer morrer e não o deixam. É uma história real, passou-se na vizinha Galiza, os ecos aqui foram alguns. O filme - ainda não o vi - foi o êxito de bilheteiras de 2004 em Espanha.
Um filme não fecha o debate sobre a eutanásia. Mas pode abri-lo. Assim acontecerá em Portugal, espero.
Uma amiga minha, que é enfermeira, conhece uma situação similar que se está a passar nos intensivos de um hospital perto de nós. Um rapaz, que fez 32 anos recentemente, ficou tetraplégico após um acidente, e muito pouco depois, dependente de ventilação artificial. Está consciente, colaborante, tem uma cadeira de rodas com ventilador portátil que lhe permite circular pela unidade, e dali - unidade - não sai há 2, 3 anos. Sobre a história dele mais não contarei. Parece-me porém que o hospital que lhe deu a vida - o rapaz em subagudo fez uma paragem cardiorespiratória e foi reanimado, ficando a partir daí ventilador-dependente - não sabe o que fazer para ele.
Sucede que ultimamente este rapaz tem sido entrevistado com frequência por rádios e inclusivé alguma televisão, tendo como motivo o filme acima. Acrescento, embora não queira adiantar o desfecho da história da película, que o nosso rapaz está muito mais vivo que presentemente o herói do filme, totalmente mais vivo... vivo, enfim ! Mórbido ? Lembro que um tetraplégico não tenta suicidar-se pela simples razão que não tem como consegui-lo. Conhecendo o director da unidade em que o rapaz se encontra, de certeza ele foi defendido numa primeira abordagem, e estas entrevistas são desejadas até por ele, em desespero de causa para quebrar uma rotina absurda que passa pelas necessidades mais básicas e a dependência quase total do outro. De qualquer forma... irão propor-lhe ver o filme e comentá-lo ? E depois oferecem-lhe ajuda ? Para o quê mais precisamente ?
Um filme muito interessante e de alguma forma sobre este tema é o "The Elephant Man" de David Lynch (ver texto imsucks.com). No fim o homem-elefante deita-se, e assim resolve a sua vida. Este nosso amigo só se poderá deitar "e resolver a sua vida" com ajuda, tal como fez o herói galego do filme em questão.
Finalmente sugiro uma visita a http://www.infomedula.org/, o site do Hospital Nacional de Parapléjicos de Toledo, Espanha. O nosso amigo hospitalizado já lá esteve e, sabe-se lá porquê, quer para lá voltar. No site tem um artigo de opinião sobre o filme e outras coisas que é bem interessante, e algo mais optimista.

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