sexta-feira, junho 05, 2009

Arouca

Merujal.
Planalto da Freita.
Quinta de Novais, piscina.

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domingo, setembro 17, 2006

Douro - Vindimas


Fomos vindimar ao Douro, na Quinta do Portal (obrigado AMAI).
Mais do que referência pequena sobre a estadia, merece o Douro o transcrever de um poema de A. M. Pires Cabral, homem de Chacim, Macedo de Cavaleiros:











Douro, S.A.

Três sócios.

Deus entrou com o xisto,
a metereologia
e a Vitis vinifera.
O inglês (ou similares),
com o paladar e o talento
colonizador.
O indígena, com os braços, com as mãos,
com as unhas (para arrebunhar a terra
em momentos de maior lucidez),
com as glâdulas sudoríparas
- e muitas vezes com o corpo todo.

Investimento
equitativamente repartido,
como se vê.
(Os dividendos é que nem por isso.)

Depois os poetas, como aqueles sujeitos
que entram nas festas sem convite,
ou talvez melhor: como ratos
vêm às migalhas do banquete.

Deus acha bem as incursões dos ratos.
O indígena não acha bem nem mal.
O inglês e similares acham que,
roendo os ratos a parte meramente
imaterial - por definição inconsumptível -,
não merece a pena investir
em raticidas nem em ratoeiras,
nem sequer em gatos.

Afinal de contas, a beleza
do Douro é um recurso renovável.
Deixá-los comer, coitados. Também
os ratos precisam de viver.

in "Douro: Pizzicato e Chula", ed. Cotovia, 2004.

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terça-feira, agosto 01, 2006

Illas de San Simón e San Antón






Estas ilhas dominam e dão nome à enseada de San Simón, onde a Ria de Vigo termina. Quem passa na ponte de Rande em direcção a nascente, não consegue evitar ver estas mesmas. Pois a elas pode-se aceder de barco a partir de Cesantes, porto e praia do termo de Redondela de Galiza...
E assim foi feito.
A ilha de San Simón tem uma cobertura vegetal muito interessante e variada, apesar de um predomínio de eucaliptos nas cotas mais altas. É, só por isto, um passeio muito agradável. Por outro lado, não há melhor forma de desfrutar este fim da ria de Vigo, cenograficamente perfeito. Porém, nunca há bela sem senão.
Nestas ilhas, durante a guerra civil espanhola e no pos-guerra imediato funcionou uma prisão franquista. Os edifícios antes tinha sido um lazareto. Aqui terão morrido centenas de pessoas, da forma mais absolutamente discricionária. Na ilha mais pequena (San Antón), ligada à maior por uma bonita ponte, estavam as instalações dos guardas. Preso que passasse a ponte era para morrer.
A Xunta pretende criar ali um lugar de cultura e de memória do sofrimento daquelas gentes, aproveitando para glosar os velhos poetas medievais, Mendinho, por ex., que estas ilhas cantavam. Mal sabiam eles...
Parte do trabalho está feito e está a decorrer na ilha um exposição e actividades culturais variadas para celebrar e recordar.
Na visita que fizémos às duas ilhas calhou falarmos com uma filha de um preso. Lembrava-se de, criança, vir visitar o pai. Referia estar tudo mudado, quase demasiado arranjado, limpo, "resolvido". Depois, não quis falar mais, e foi-se embora. Chorava. Presos sobreviventes que visitaram a ilha nestes dias não conseguiram atravessar a fatídica ponte, pelo lembrar do que isso significava.
Nestas ilhas a memória de gigantes.

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segunda-feira, junho 12, 2006

Praia de Esteiro, ria de Muros, Galiza





Ontem teimei e fui almoçar com amigos a Muros. Y que bien lo pasamos... Muros é uma pequena vila portuária de ria como há muitas na Galiza, ou como há poucas, porque Muros é das mais bonitas terras da Galiza, na minha opinião, con un emplazamiento inmejorable.
Já à tardinha, em vez de voltar, estacionámos um pouquinho pela praia do Esteiro, uma entre muitas, também muito bonita, e com um passeio construido com velhas traves de madeira de não sei de onde, muito bem pensado. Un dia... inmejorable. Como las navajas, tio...

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terça-feira, março 14, 2006

Cabeza de Manzaneda


Cabeza de Manzaneda é uma pequena estação de esqui na província galega de Ourense que coroa umas terras que são do mais belo e autêntico que a Galiza profunda tem para oferecer: as terras de Trives. Aliás a estação vale só pela estrada que sobe até ela, sendo os 1ºs 10 kms soberbos...
A estação de esqui propriamente dita não é particularmente bonita (consta qur não costumam ser...) e a zona envolvente, esquecendo a fascínio particular da neve, também não, pois a implantação de arboredo alpino em terras que originariamente não o tinham causa a sensação de postal e de "mais uma" que não se agradece.
Quanto ao como funciona, bom, é pequena, não muito organizada, muy chapuzera, e com muita gente a disfarçar em simpatia aquilo que a estação não tem para dar: eficiência. Está feita para Vigo, Ourense, e uns quantos portugueses e mais nada.
Tem ainda alguns trabalhadores nos teleskys e nas telecadeiras que são uns criminosos em toda a linha. Vamos aliás tentar que os despeçam.
A segurança não é também um item impoluto, pois vi crianças com menos de 12 anos a esquiar a toda a velocidade pistas abaixo sem qualquer protecção para a cabeça, sendo que as pistas estão mal alizadas e mal assinaladas.
Não pensem que isto tem algo a ver com as oito a dez vezes que caí (aquilo em 1ª aula é mesmo difícil...) pois a minha filha passou um tempo inesquecível justamente ali, em Cabeza de Manzaneda...
"Usted esta esperando para bajar en la telesilla? Es que pasa de la hora, no puede bajar, solo esquiando..." Eu e a minha filha, 300 metros de desnível, fresquinhos de acabar a 1ª aula de esqui! Mira que graciosos... e isto é só uma amostra!

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sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Viseu 2 e Grão Vasco - museu


O projecto de remodelação do museu Grão Vasco foi de Eduardo Souto Moura e nota-se, para o bem (interior) e para o mal (exterior). Se repararem bem, a 1ª imagem do Paço dos Três Escalões - nome antigo - com a Sé mostr as janelas antigas, com moldura branca. A 2ª fotografia mostra as janelas actuais, "cegas".

As abóbadas manuelinas da Sé são do famoso João Castilho, um emigrado espanhol (Juan de Castilla, yo creo...) que é o pai da nave dos Jerónimos...
Comeu-se bem também no Cortiço, muito famoso.
O parque do Fontelo está a precisar de uma revisão.
Dormimos no Hotel Ónix - a evitar.

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quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Viseu is a must...


Claro que nem só de ciência vive o Homem, pelo que aproveitei uma breve estadia congressista para conhecer a cidade.
E então aqui vai: Viseu tem primariamente um umbigo, um ninho de águia primitivo que no alto deu origem à cidade. Nesse umbigo encontramos a Sé Catedral e o Museu Grão Vasco, e diálogo curioso com o casario de cores mais claras, idem a Igreja da Misericordia. A Sé, "muito desfigurada", ou digo eu, com uma frontaria maneirista (não é?...) algo pobre a desmerecer a dimensão do templo, tem como ponto forte as suas naves, a um tempo fortes e elegantes, e olhando para cima, abobadadas elas por elegantes nervuras gótico-manuelinas, entrelaçadas em nó. A capela-mor é uma pálida imagem por razões que no museu Grão Vasco se explicitam, e em 1992 recriaram o púlpito e o espaço de celebração da missa a la "Vaticano Segundo", desastrosamente. Nesta igreja o melhor mesmo é admirar as grossas colunas e depois ficar a olhar para o tecto... Grande igreja, a mostrar a importância de Viseu já então, uma das 7 Sés "fundadoras" da matriz portuguesa, de Braga a Évora...
Ao lado encontramos o remodelado museu Grão Vasco. E infelizmente o terão remodelado, pelo menos por fora, pois um edifício de granito centenário a quem refizeram as janelas em vidro esverdeado único, sem moldura, foi como se lhe tivessem esvaziado os olhos. Por dentro a remodelação muito bem, com uma livraria que - surpresa - é uma sucursal da Leitura do Porto. E, claro, as grandes obras de Vasco Fernandes, pintor quinhentista, o retábulo da capela-mor da Sé, o S.Pedro, o Pentecostes, etc. De conhecimento e admiração obrigatórios. Que mais pintura interessante existe, por ex. um pequeno Amadeo de Souza-Cardoso, vários Eduardo Viana, Columbanos, enfim, a melhor colecção de pintura portuguesa fora de Lisboa, dizem.
E adossado o sítio onde melhor comi, o restaurante "Muralhas da Sé", citado no Michelin.
Podemos agora descer por vários caminhos até ao Rossio, o coração da Viseu que cresceu e se fez cidade. Por ruas de pequeno comércio ainda muito vivo, alternando a casa popular com a de qualidade e o palacete, aqui e ali algum trabalho tipo "Polis" nem sempre feliz. Uma zona antiga extensa, agradável, razoavelmente viva. Não como o Rossio, ponto de paragem de dia, morto à noite. E em Viseu não deparei com nenhum café dos antigos a sobreviver.
Nos limites da cidade antiga o Teatro Viriato, também remodelado, com programação extensa, de qualidade, e para todos os gostos e idades. Outra surpresa!
Por último passei ao lado e de carro de um aterro defensivo polígonal fechado aparentemente de origem romana mas a que se dá tradicionalmente o nome de Cava de Viriato. O pouco que vi foi uma elevação de uns 4-5 metros, extensa, regular, coberta por algumas árvores e arbustos.
À volta de Viseu todo um cortiço de transição urbano-rural que dá à cidade a dimensão demográfica de uns 50000 habitantes que, à 1ª vista não aparenta ter.

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